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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Capitalismo literário


por Eder Ferreira


não trabalho com o falso
e sim com a realidade
forçada
(iniquidade)
a ordem do lema
(já sem trema)
ordinária mania
literatura de periferia
não trabalho...
(desemprego cultural)
...todos os dias
... ... ...
reticências obrigatórias
moratória
o “eu”, o “nós”
minha palavra, minha voz
a profissão de fé
se extingue nas prateleiras
quando as literárias asneiras
vão para a sacolinha
e eu (sem aspas)
destruo minha escrivaninha
não preciso dela
nem de nada
só de chance
“pra matá as lumbriga”
e de um lanche
já que “pra nóis”
livro não enche barriga...

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sobre a falácia da "cultura brasileira"


por Eder Ferreira

     Funciona assim: se eu não escrever meus livros, não diagramar, não fazer a capa, não revisar, não arrumar grana para a publicação e não fazer um bom marketing, nunca vou ver meu sonho de ser reconhecido como escritor se concretizar. E acham que alguém se importa com isso além de mim? Não! Estou sozinho, assim como vários escritores independentes e artistas que conheço. Essa é a triste realidade. Essa é a falácia da "cultura brasileira", que só funciona para (pseudo) artistas globais e nascidos em berço de ouro, cravejado com diamantes e rubis. Essa é a verdade escancarada, que se mostra todos os dias, quando abro um jornal, uma revista, ou um site na internet, e vejo a lista de livros mais vendidos no Brasil. Claro, lógico, evidente que nenhum dos meus DEZOITO livros que escrevi, incluindo ai um que publiquei às duras penas há alguns anos atrás, não estão nesta lista, muito menos o livro em que estou trabalhando no momento, ao menos na cabeça de quem (não) acompanha minha via sacra literária, nunca será listado como best-seller e nunca aparecerá nas páginas finais da revista Veja, como um dos mais vendidos. Tão pouco os concursos literários que venci ou que fui finalista terão, algum dia, alguma nota, nem que seja de rodapé, em algum jornal de grande (ou mesmo pequena) circulação. Funciona assim. Ou não funciona? Ao menos pra mim, a resposta é não!

terça-feira, 16 de julho de 2013

Sobre o fim da literatura e o descaso dos "grandes escritores"


por Eder Ferreira

      As pessoas odeiam ler, isso é uma realidade. É claro que essa afirmação não pode ser lida de maneira generalizada, pois existem muitos leitores ávidos por ai. Mas, mesmo essa frase, tão tendenciosa e exagerada, esconde uma verdade cruel e inevitável: vivemos em um mundo onde cada vez menos as pessoas se interessam por literatura. E, mesmo que a generalização não seja a melhor forma de criticar o martírio por que passam os escritores independentes brasileiros, talvez esteja na hora de encararmos essa questão com certo radicalismo. É certo que toda forma de radicalizar o problema, seja ele qual for, não é correta. Mas, se deixarmos as coisas como estão, em breve viveremos em uma sociedade que tratará os livros como peças de museus e os leitores como lendas urbanas. Os escritores consagrados, autores de best-sellers e demais literatos que se deliciam com o bolo inteiro, sem deixar sequer uma migalha para os escritores independentes, não se importam com tal previsão apocalíptica, pois acreditam que seus textos e livros estarão sempre bem guardados nas gavetas sem trancas da história. Porém, vale a pena lembrar-lhes que o cadeado da ignorância já teve muitos nomes, como inquisição, ditadura, censura, entre outros mais, e que, mesmo em um mundo como o nosso, onde o conhecimento navega livre pela rede mundial de computadores, sempre é possível que alguém crie um novo nome para a estupidez humana. Um nome, inclusive, que nem os afamados escritores, considerados deuses literários, vão conseguir decifrar a tempo. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Plebiscito poético


por Eder Ferreira

Vivo nesta terra
Que prega a liberdade
A igualdade velada
Escondida, reprimida
Vil, descarada, inerte
Que me vem à força
Na forma de lei
Pela aspereza da mão
Que me afaga
Que me liberta
Ditando regras
Esbanjando ação
Inerente poder
Que me dá o prazer
Roubando minha _______


Escolha uma das alternativas abaixo para completar o último verso do poema:

(  ) ambição
(  ) nação
(  ) paixão
(  ) reflexão

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Paranoia financeira


por Eder Ferreira

Dinheiro vai, dinheiro vem
Só o que não vem é a avareza
Pobreza disfarçada de vida
que irrita pela breve brevidade
Dinheiro sujo, chulo... nulo
-Vai embora, vai... ingrato!
De meu suor, feito um rato
nasceu este ser tão descarado
Grana muda, grama cortada
Bufunfa amargada, pelo ópio
dessa falsa solidariedade
Dinheiro inóspito, longínquo
Dorme agora, em quem te afaga
Nestes novos e ricos braços
Feitos de lixo e cambalachos
Feito o amor, que logo acaba...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Hino irracional

por Eder Ferreira

“És belo, és forte, impávido colosso”
ver um corrupto apertar o meu pescoço
e depois, sair correndo como um “raio vívido”
para, “deitado eternamente em berço esplêndido”,
contar seus “verdes-louros”
num paraíso fiscal.
Pois “nossos bosques tem mais vida”,
mas nossos bolsos estão vazios,
e “a imagem do cruzeiro resplandece”
o medo do Real também entrar em crise
“Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve”-se quem puder!
“Dos filhos deste solo és mãe gentil”?
Era melhor ter nascido órfão!