quinta-feira, 12 de abril de 2012

Veneno



por Eder Ferreira

Escorrendo solto

pelo canto da boca

outrora sorridente

agora, tão ardente

Envolvendo, enlaçando

Entrelace de linhas

Peçonhas tão finas

no laço venenoso

que toca a pele

O espaço poroso

entre a carne

e o ar rancoroso

se faz perigoso

se faz meio ausente

Cobra criada

armada, até os dentes

que mordem os lábios

e roem as vísceras

expostas pelo acido

Plácido veneno

que agora te dou

neste beijo sereno

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O último pecado



por Eder Ferreira

Erros eternos

Fraternos pecados

O amor que ainda dói

A ferida aberta

São todas formas certas

de se viver aos pedaços

Fragmentos humanos

Pedidos profanos

a um deus invisível

Momentos felizes

Meros deslizes

de uma alma falível

Fato puro, concreto

é todo mal obsceno

radicalmente sereno

Sem lastima ou afeto

Perdão sem sentido

ao um coração ferido

por não saber viver

Sem mais o que dizer

Nada para fazer

Nada que já foi feito

E nada que se fará

Pois o último pecado

é nada mais que a véspera

do próximo que virá

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Revista Cultura Siqueirense nº 2 (Abril de 2012)


Entre os sonhos



por Eder Ferreira


Acordado, mas querendo dormir

Tentando esquecer que

estou em um pesadelo

Desespero, consumindo a realidade

que tanto lutei para construir

Desgastando a verdade

que me esforcei para não omitir

Destruindo os sonhos

que outrora sonhei

que tanto desejei

Mas, entre os sonhos

sempre houve algo real

entre o bem e o mal

Algo ao longe, mas tão perto

Entre cada devaneio

um lampejo de amor

que tenta, agora, acabar com essa dor

com esse triste sonho

que logo chegará ao fim

quinta-feira, 8 de março de 2012

Lágrima de mulher



por Eder Ferreira


Existem muitas lágrimas
Desabando pelo ar corrente
Algumas são tão gélidas
Já outras, tão quentes
Lágrimas que se consomem
E somem ao relento
Em cada pranto ousado
Em cada novo lamento
Há muitas formas de chorar
E muitos modos de sofrer
Mas só um jeito de amar
E nenhum de esquecer
Existem tantas coisas belas
Do que já se foi e do que vier
Mas não há nada mais belo
Que a lágrima de uma mulher


Homenagem a todas às mães, filhas, meninas, senhoras, enfim, a todas às mulheres. Que Deus as abençõem sempre!