quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Sapabonde e a nova ordem (homo)sexual

por Eder Ferreira


Recentemente ouvi umas músicas que muito me chamaram a atenção. Com clara apologia ao lesbianismo, foi me revelado que tais canções eram de um grupo chamado Sapabonde, formado apenas por mulheres homossexuais, as popularmente conhecidas “sapatões”. A primeira coisa que me veio à cabeça naquele momento é que não me lembrava de nenhum grupo musical formado por homens homossexuais, e que usassem suas músicas como explicita apologia às suas condições sexuais.
Viajando ainda mais na maionese, lembrei-me que na Grécia antiga, na época áurea dos grandes filósofos, o homossexualismo masculino era amplamente aceito. Era comum um rapaz com certa pré-disposição ter uma espécie de tutor, um homem mais velho e mais sábio, que lhe ensinava as coisas da vida (em vários sentidos da palavra). Também nas “trincheiras” da guerra do Peloponeso, era comum soldados espartanos praticarem sexo entre si.
Já o homossexualismo feminino era abominado nesse período. Os gregos antigos repudiavam o lesbianismo, pois consideravam que a função da mulher era a da procriação, e que uma vez se envolvendo com outras mulheres, ela não apenas estaria mudando a ordem natural das coisas como também estaria pondo a sobrevivência dos ser humano em risco.
Pois bem, os tempos mudaram. Apesar da cultura grega, somada à romana, ter influenciado diretamente nossa sociedade atual, tais preceitos quanto à sexualidade não se mantiveram intactos. O homossexualismo masculino continuou, porém, não com tamanha aceitação que tinha na Grécia antiga. Já o homossexualismo feminino, que sempre existiu, mesmo oculto, teve que permanecer à margem da sociedade, passando inclusive por momentos críticos (imagine uma lésbica assumida em plena idade média. Fogueira na certa!).
Chegamos, então, aos dias de hoje. Terceiro milênio, século XXI, ano de 2013. Época em que a liberdade de expressão está a mil, depois de anos sob o pesado chumbo da censura militarista. E chegamos, também, ao grupo Sapabonde, que, invertendo a ordem dos fatores histórico-culturais greco-romanos, apresenta ao Brasil suas letras com temáticas ligadas ao lesbianismo.
A homofobia ainda existe, porém, é muito diferente de outros tempos. Se na Grécia socrática somente os homens podiam ter relações homossexuais, agora parece que as mulheres saem na frente, e conseguem criar uma nova cultura contra o preconceito ao homossexualismo. São os reflexos da chamada “Revolução Feminista”, que inicialmente só queria libertar as mulheres da opressão imposta por uma sociedade machista, mas que hoje se mostra com outras faces, algumas, inclusive, mais masculinizadas.
Se a mulheres queriam destruir o machismo, elas conseguiram. Se queriam trabalhar fora, ganhar dinheiro e tomar suas próprias decisões, parabéns. Mas, elas foram mais longes. Inverteram a intocável ordem grega da sexualidade, e mostraram que nessa nova sociedade, nós homens somos objetos descartáveis. Servimos bem para pais, mestres, e outras conveniências (como concertar chuveiros e matar baratas), mas a dura verdade é que não só perdemos nosso posto de machos alfas, mas também nossa capacidade de mostrar para as mulheres o quanto fomos e somos importantes para elas. Principalmente para as não lésbicas (até porque as lésbicas não estão nem aí com a gente mesmo!). 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Globo de Ouro 2013



Quando vi a lista de indicados para o Globo de Ouro 2013 tive duas reações distintas: a primeira foi de alegria, por ver The Big Bang Theory com duas indicações, Melhor série de TV – Musical ou comédia e Melhor ator em série de TV - Comédia ou musical, para Jim Parsons (o impagável Sheldon Cooper). Porém, fiquei triste por não ver The Walking Dead na categoria Melhor série de TV - Drama. Essas são minhas duas séries favoritas, e sempre torço para que ganhem prêmios e se tornem mais famosas ainda. Já nas indicações para cinema, não vi nada demais. Agora é esperar pelo Oscar, e continuar na torcida para que TBBT ganhe alguma coisa. Confira a lista completa:

TV

Melhor série de TV - Musical ou comédia

"The Big Bang Theory" (2007)
"Episodes" (2011)
"Girls" (2012)
"Modern Family" (2009)
"Smash" (2012)

Melhor série de TV – Drama

"Boardwalk Empire" (2010)
"Breaking Bad" (2008)
"Downton Abbey" (2010)
"Homeland" (2011)
"The Newsroom" (2012)

Melhor filme feito ou minissérie para a TV

"Virada no Jogo" (2012)
"The Girl" (2012)
"Hatfields & McCoys" (2012)
"The Hour" (2011)
"Political Animals" (2012)

Melhor ator em série de TV – Drama

Steve Buscemi, "Boardwalk Empire" (2010)
Bryan Cranston, "Breaking Bad" (2008)
Jeff Daniels, "The Newsroom" (2012)
Jon Hamm, "Mad Men - Inventando Verdades" (2007)
Damian Lewis, "Homeland" (2011)

Melhor atriz em série de TV – Drama

Connie Britton, "Nashville" (2012)
Glenn Close, "Damages" (2007)
Claire Danes, "Homeland" (2011)
Michelle Dockery, "Downton Abbey" (2010)
Julianna Margulies, "The Good Wife" (2009)

Melhor ator em série de TV - Comédia ou musical

Alec Baldwin, "30 Rock" (2006)
Don Cheadle, "House of Lies" (2012)
Louis C.K., "Louie" (2010)
Matt LeBlanc, "Episodes" (2011)
Jim Parsons, "The Big Bang Theory" (2007)

Melhor atriz em série de TV - Comédia ou musical

Zooey Deschanel, "New Girl" (2011)
Lena Dunham, "Girls" (2012)
Tina Fey, "30 Rock" (2006)
Julia Louis-Dreyfus, "Veep" (2012)
Amy Poehler, "Parks and Recreation" (2009)

Melhor ator coadjuvante de série de TV

Max Greenfield, "New Girl" (2011)
Ed Harris, Virada no Jogo (2012) (TV)
Danny Huston, "Magic City" (2012)
Mandy Patinkin, "Homeland" (2011)
Eric Stonestreet, "Modern Family" (2009)

Cinema

Melhor filme – Drama

"Argo" (2012)
"Django Livre" (2012)
"As Aventuras de Pi" (2012)
"Lincoln" (2012)
"A Hora Mais Escura" (2012)

Melhor filme – Musical

"O Exótico Hotel Marigold" (2011)
"Les Misérables" (2012)
"Moonrise Kingdom" (2012)
"Amor Impossível" (2011)
"Seven Psychopaths" (2012)

Melhor ator – Drama

Daniel Day-Lewis, "Lincoln" (2012)
Richard Gere, "A Negociação" (2012)
John Hawkes, "The Sessions" (2012)
Joaquin Phoenix, "The Master" (2012)
Denzel Washington, "Flight" (2012)

Melhor atriz – Drama

Jessica Chastain, "A Hora Mais Escura" (2012)
Marion Cotillard, "Ferrugem e Osso" (2012)
Helen Mirren, "Hitchcock" (2012)
Naomi Watts, "O Impossível" (2012)
Rachel Weisz, "The Deep Blue Sea" (2011)

Melhor ator - Musical ou comédia

Jack Black, "Bernie" (2011)
Bradley Cooper, "O Lado Bom da Vida" (2012)
Hugh Jackman, "Les Misérables" (2012)
Ewan McGregor, "Amor Impossível" (2011)
Bill Murray, "Hyde Park on Hudson" (2012)

Melhor atriz - Musical ou comédia

Emily Blunt, "Amor Impossível" (2011)
Judi Dench, "O Exótico Hotel Marigold" (2011)
Jennifer Lawrence, "O Lado Bom da Vida" (2012)
Maggie Smith, "Quartet" (2012)
Meryl Streep, "Um Divã para Dois" (2012)

Melhor ator coadjuvante

Alan Arkin, "Argo" (2012)
Leonardo DiCaprio, "Django Livre" (2012)
Philip Seymour Hoffman, "The Master" (2012)
Tommy Lee Jones, "Lincoln" (2012)
Christoph Waltz, "Django Livre" (2012)

Melhor atriz coadjuvane

Amy Adams, "The Master" (2012)
Sally Field, "Lincoln (2012)
Anne Hathaway, "Les Misérables" (2012)
Helen Hunt, "The Sessions" (2012)
Nicole Kidman, "The Paperboy" (2012)

Melhor diretor

Ben Affleck, "Argo" (2012)
Kathryn Bigelow, "A Hora Mais Escura" (2012)
Ang Lee, "As Aventuras de Pi" (2012)
Steven Spielberg, "Lincoln" (2012)
Quentin Tarantino, "Django Livre" (2012)

Melhor roteiro

"Amour" (2012): Michael Haneke
"Django Livre" (2012): Quentin Tarantino
"Lincoln" (2012): Tony Kushner
"O Lado Bom da Vida" (2012): David O. Russell
"A Hora Mais Escura" (2012): Mark Boal

Melhor trilha sonora

"Anna Karenina" (2012): Dario Marianelli
"Argo" (2012): Alexandre Desplat
"A Viagem" (2012): Reinhold Heil, Johnny Klimek
"As Aventuras de Pi" (2012): Mychael Danna
"Lincoln" (2012): John Williams

Melhor animação

"Valente" (2012)
"Frankenweenie" (2012)
"Hotel Transilvânia" (2012)
"A Origem dos Guardiões" (2012)
"Detona Ralph" (2012)

Melhor filme estrangeiro

"Amour" (2012)
"Kon-Tiki" (2012)
"Intocáveis" (2011)
"En kongelig affære" (2012)
"Ferrugem e Osso" (2012)

Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2012/12/veja-indicados-ao-globo-de-ouro.html

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O fim do racismo?


Por Eder Ferreira e Eliana Rigo Acosta Ferreira

Em uma entrevista do ator norte-americano Morgan Freeman, quando perguntado sobre o que ele achava do mês da “consciência negra”, sua resposta foi rápida e certeira: “Ridículo”, foi o que ele disse. Seu argumento foi de que não existe um mês da consciência branca ou da consciência judaica, por exemplo, e que a melhor maneira de acabar com o racismo é simplesmente parando de falar nele.
Nesse sentido exposto por Morgan Freeman, podemos analisar a questão dos afrodescendentes sob um ponto de vista não voltado para o racismo, mas sim para suas contribuições para com a sociedade contemporânea. Temos, como um forte exemplo, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama, que acaba de ser reeleito. Apesar de algumas criticas de seus opositores, o balanço geral de seu governo frente à maior nação do mundo é positiva. A própria presidente Dilma afirmou que torcia para que ele continuasse na Casa Branca por mais 4 anos.E por falar no Brasil, temos o Ministro do STJ Joaquim Barbosa, que ficou famoso como relator do julgamento dos envolvidos no caso Mensalão, sendo apontado por muitos como um árduo defensor da justiça no país.
Porém, há tempos que vemos exemplos de como os afro-descendentes influenciam  positivamente nossa sociedade atual. Nas artes, muitos são os artistas que nos prestigiam com seus talentos (como o próprio ator Morgan Freeman, citado no inicio desse texto). A música mesmo é cheia de exemplos da cultura afro-ocidental. O astro do rock Elvis Presley, por exemplo, fez sucesso misturando vários ritmos da música afro-americana norte-americana de sua época.
Nos esportes, vários outros exemplos nos mostram o quando os afro-descendentes são talentosos. Pelé é até hoje reverenciado como o maior atleta do século XX. O jamaicano Usain Bolt tem se consagrado como o homem mais rápido do mundo, quebrando todos os recordes do atletismo. Porém, o caso mais emblemático ocorreu nos Jogos Olímpicos, que aconteceu em Berlin, no ano 1936, sob os olhares do líder nazista Adolf Hitler, que anos mais tarde iniciaria a Segunda Guerra Mundial, e que pretendia usar os jogos como forma de mostrar a superioridade da raça ariana. Para a surpresa do fürer, o grande destaque nas provas de atletismo foi o negro norte-americano Jesse Owens, ao ganhar 4 medalhas de ouro.
Desde que conquistaram seus direitos, os negros vem lutando para acabar de uma vez com qualquer forma de racismo que ainda possa existir. Mas, como disse Morgan Freeman, muitas vezes, para acabar com alguma coisa, é melhor fingir que ela não existe. Sem nos esquecermos, claro, de tudo o que de ruim já aconteceu. Pois, como diz o ditado, “um povo que não conhece sua história está fadado a repeti - lá”, seja para o bem, ou para o mal. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

12 (ou seriam 14?!) dicas para você ser tornar um(a) escritor(a)



Por Eder Ferreira

Dica número zero: antes de qualquer coisa, é preciso ser alfabetizado(a), senão fica difícil (Se você não for alfabetizado, e alguém estiver lendo isso para você, existem vários cursos de alfabetização por aí...).

1- Leia muito, desde os clássicos da literatura (CLIQUE AQUI) até autores contemporâneos e revistas (CLIQUE AQUI);
2- Comece escrevendo textos curtos, de preferência poesias;
3- Escreva, erre, escreva de novo, erre de novo... uma hora você acerta;
4- Se puder, faça uma faculdade de Letras ou Jornalismo (CLIQUE AQUI) - não que isso seja essencial, mas ajuda muito;
5- Se não puder fazer uma faculdade, estude um pouco de teoria literária (CLIQUE AQUI), gêneros literários (CLIQUE AQUI), escolas literárias (CLIQUE AQUI), noções de estilo, tempo, redação (CLIQUE AQUI), etc;
6- Estude também um pouco de gramática e ortografia (CLIQUE AQUI). E não tenha vergonha de consultar o dicionário (CLIQUE AQUI). Ele existe para isso mesmo;
7- Entre em contato com outros escritores (CLIQUE AQUI). A maioria é gente boa, e a troca de experiências e informações pode ser muito útil;
8- Aceite críticas. São elas que vão lhe dizer se você está no caminho certo, e não os elogios;
9- Encare o ato de escrever como arte, e não como passatempo. Valorize-se;
10- Não tenha vergonha de mostrar seus textos. Lembre-se: você quer escrever um livro, e não um diário...
11- Participe de concursos literários (CLIQUE AQUI). Além de servirem como experiência, podem lhe render uma graninha (ou até a publicação de seu livro);
12- Procure um site literário (CLIQUE AQUI), onde você pode publicar seus textos, receber a opinião de outros membros e também opinar sobre textos de outros autores.

Dica extra: não se preocupe se ainda não conseguiu publicar seu livro. Uma hora dessas dá certo (CLIQUE AQUI).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Minha Eterna Flor

por Eder Ferreira


Troco um poema por uma flor
Lírico perfume; Estrofe florida
Um verso carregado de amor
por uma rosa tão cheia de vida

Troco a chance que me foi dada
para estar ao seu lado agora
como a semente que foi lançada
na terra onde uma rosa aflora

Troco uma pétala por um verso
Um amor perdido por um distante
A infinitude por um beijo eterno
Uma bela flor por um breve instante

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Areté

por Eder Ferreira 
 
5 de novembro, data sem emoção
Isso, pra quem tá longe da capoeira
Porque pros brazucas de coração
Hoje é o Dia da Cultura Brasileira

Poética homenagem a todos os artistas, folcloristas e agentes culturais, que lutam diariamente pelo bem mais precioso do povo brasileiro: a nossa cultura! Dia 5 de novembro, Dia da Cultura Brasileira!

Areté: Dia festivo, em Tupi

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O príncipe violinista

por Eder Ferreira

     Das melodias que ouvira, nenhuma tinha tanta paixão e melancolia quanto aquela. Talvez até já tivesse escutado algo tão belo, mas não conseguia se lembrar de algum momento de tanta beleza. O som do violino parecia que vinha do céu, preenchendo o ar e fazendo com que qualquer um que passasse ao entardecer, pela Rua da Alvorada, ficasse extasiado de tanta doçura e tristeza misturadas. A música vinha de uma casa, já velha, sem muito brilho, quase que por desabar. Flora se encantava sempre que voltava da escola. Chegava a parar por alguns minutos, só para poder escutar aquela música divina. Indagava-se sobre quem poderia tocar tão maravilhosamente um violino, instrumento que ela tentara aprender, mas sem muito sucesso. A vergonha não lhe permitia bater palmas e perguntar quem era o instrumentista que a encantava todo fim de tarde. É claro que, em sua cabecinha juvenil, de menina com seus quatorze anos, montava a idéia de o músico ser um rapaz com seus vinte e poucos anos, lindo de morrer e que, sem muitos recursos financeiros para fazer aulas de violino, aprendera a tocar sozinho, e ficava ali, todos os dias, no mesmo horário, ensaiando. Pensara até em um nome para ele: Marcos. Alto, olhos verdes, olhar tímido. Um príncipe, não só em beleza como também em talento. Numa tarde, dessas meio chuvosas, quando veio a estiagem de alguns minutos, quase suficiente para Flora ir embora, pois esquecera de levar o guarda-chuva, passava ela pela Rua da Alvorada quando viu um senhor, de idade avançada, saindo pelo portão enferrujado daquela casa velha, onde morava seu violinista dos sonhos. Eufórica, pensou logo em se tratar do pai ou avô do rapaz, o tal Marcos, que ela nomeara. Tomou coragem e foi até lá, perguntar ao velho sobre quem tocava aquelas músicas tão belamente. O velho lhe disse que era ele mesmo quem tocava o violino. O mundo de Flora desabou naquele instante. Não havia Marcos algum, e seu príncipe violinista não passava de um senhor quase careca, de voz rouca e sem charme algum. Meio sem querer ela deixou escapar um “Marcos”, que o velho logo escutou. Perguntou à moça o que dissera, e ela, com olhar de curiosidade, repetiu o nome. O velho disse se tratar do nome de seu neto, que morrera a pouco mais de um ano, em um acidente de carro, quando ia para um festival de violino. O velho despediu-se então da jovem, e seguiu pela calçada, até virar a esquina. Flora ficou lá, parada, no meio da calçada, quando recomeçou a chover finamente. “Então o Marcos existiu”, pensou ela, com um leve sorriso no rosto. Vagarosamente começou a andar em direção à sua casa. A chuva logo engrossou, mas ela não acelerou o passo. Foi lentamente embora, relembrando uma das músicas que sempre ouvira o velho tocar nos fins de tarde. O tom melancólico das canções que ouvia agora fazia sentido. Quem sabe aquele velho não tocava as músicas tristes pensando no neto Marcos, que havia morrido. Flora começou a chorar e, misturada às suas lágrimas, a chuva escorria pelo seu rosto. A música não saia de sua cabeça, e nem a lembrança de seu príncipe violinista, que ela só conhecera por intermédio do som de um violino, tocado por um velho músico desconhecido.


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Conto publicado originalmente no livro "Uma Verdadeira Prosa - Contos & Minicontos", do escritor Eder Ferreira (para adquirir o livro clique aqui)