sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Máquina do tempo



por Eder Ferreira

Não faz muito tempo, li em uma estimada revista de divulgação científica, do qual sou fã, um artigo que ativou minha memória e me fez viajar por alguns instantes pelas vias quase esquecidas de minhas lembranças, num momento que mais pareceu uma paródia pseudo-científica da famosa cena da Madeleine mergulhada no chá, de Proust.
O tal artigo dizia que alguns cientistas realizariam um experimento no maior acelerador de partículas já construído, a fim de se estudar os efeitos da violenta trombada entre dois átomos. Mas, dentro desse tal acelerador, diziam os doutores da ciência, poderia ocorrer algo fantástico. Uma nano-micro-minúscula brecha no espaço-tempo. Qual a importância disso? Nenhuma. Pelo menos por enquanto. No futuro, porém, poderiam desenvolver um método para realizarmos as tão sonhadas viagens no tempo.
Depois dessa aula de física quântica e sub-atômica, vamos voltar para meus devaneios mnemônicos. Lembrei-me, ao ler a notícia, dos tempos em que meus hormônios borbulhavam, minha cara corava de vergonha quando uma moça me fitava e minha cabeça estava cheia de caraminholas científicas. Dentre as varias certezas que eu tinha na época, muitas se perderam. Eu acreditava, por exemplo, que paranormalidade existia. Só hoje consigo enxergar a verdade: meros atores gritando “Rá!”, além de outras interjeições inúteis. Já as viagens no tempo, isso sim, não saiam e,de certa forma, ainda não saem da minha cabeça. Me recordo de um filme, em que um jovem e um cientista malucão viajavam entre o passado e o futuro. O interessante, é que eu não me imaginava o jovem bonito e simpático, com uma bela namorada a tiracolo, mas sim o cientista, de olhos esbugalhados e cabelo “a lá Einstein”. Bons tempos aqueles.
Hoje, raramente penso em deslocamentos temporais e filmes de ficção científica. Apenas quando leio algo relativo ao assunto, volto a puxar pela memória e reorganizar meu passado em imagens e flashes. Minha cabeça é um turbilhão, assim como o tal acelerador de partículas. Violentas trombadas ocorrem o tempo todo. Porém, não são átomos a colidirem, mas sim pensamentos e emoções. Cada vez que minha razão choca-se com minha sensibilidade, surgem verdadeiros BigBangs. E, assim como o universo um dia convergira em um evento chamado BigCrunch, esporádica e casualmente, resumo essas explosões em simples aglomerados de palavras e idéias.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como escrever um soneto



por Eder Ferreira


Não escrevo Sonetinhos métricos

Para quê; as letras se desfazem

"Cheios de vida..."; prefiro os tétricos

Os poemas (como nós) se refazem


Parnasiano ou (pós-) modernista

De versos em versos, uma obra

Experimental, como um Alquimista

Mortífero, como veneno de cobra


Poucas páginas, muitas formas

Assassinando as belas normas

O bom poema é o que vem de cima


Do céu, d'um plano, do universo afora

No mundo da lua; o que vem agora?

Sem inspiração! (completo a rima...)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Heroísmo


por Eder Ferreira

Que dirá o que sou, senão um louco

Por transgredir regras sem sentido

Dirá me vendo fraco, abatido

Definhando, lento, pouco a pouco


Heroicamente, ergo a espada

Solto um brado, ordeiro sinal

No alto de minha coragem fatal

Aerofóbico, desço a escada


Mas não é o medo que me derrota

Nem mesmo as pedras em minha rota

Guerreiro que sou, sigo o caminho


São as vítimas desse mundo fútil

Que atrapalham meu destino inútil

Salvo a todos, mas pereço sozinho


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Anti-o-quê?!



por Eder Ferreira


Anti-guerra

Anti-trégua

Anti-ciência

Anti-demência

Anti-droga

Anti-prova

Anti-nazismo

Anti-eufemismo

Anti-gente

Anti-crente

Anti-morte

Anti-sorte

Anti-fada

Anti-mudo

Anti-nada

Anti-tudo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Centro de gravidade



por Eder Ferreira


Meu equilíbrio se foi

Para algum lugar inerte

No campo magnético

Dos pólos invertidos


Positivo e negativo

Norte e sul

Da terra que orbita

Os espaço preenchidos


Caí pela ladeira

Do caos desarranjado

Na esfera hemisférica

Perpendicular ao vazio


Olhei para frente

E para traz de minha nuca

Nada vi, senão um eixo

Que desprendeu meu desvario


Sentindo todo medo

Da distância regulada

Mostrei minha face

Mais vil e displicente


E antes que um teorema

Explique alguma coisa

Caí sobre a física

De teu corpo inerente

Vencedores do Emmy 2011



A cerimônia de entrega do prêmio Emmy, realizada na noite de domingo, dia 18 de setembro, seguiu a ideia de que eles estavam reunidos ali para uma confraternização, na qual todos são membros de uma única família. Ao longo da noite, Jane Lynch (Glee), a mestre de cerimônias, conduziu o evento neste sentido, sem se sobrepor ou criar situações de grande desconforto.

Vários números musicais fizeram parte da cerimônia, que iniciou com um clipe protagonizado por Jane, no qual conversava com Leonard Nimoy (Jornada nas Estrelas). O ator substituiu Alec Baldwin (30 Rock), que tinha gravado a cena anteriormente. Segundo a imprensa americana, um comentário que Alec fez sobre Rupert Murdoch e o escândalo dos telefones grampeados foi censurado pelo canal Fox, o que levou Alec a exigir que sua cena fosse retirada. Assim, Nimoy foi chamado na última hora. Levando em consideração o tema do evento, o comentário de Alec não se enquadrava.

Durante o clipe Jane invadiu os cenários de diversas séries, entre elas, “Parks and Recreation”, com a presença de Ron Swanson; o apartamento dos nerds de “The Big Bang Theory”, com o elenco principal masculino; “Weeds”, com Doug Wilson; o vestiário de “Friday Night Lights” e, o melhor de todos, a agência de “Mad Men”, com parte do elenco principal.

Nesta cena, Jane explica como são as coisas no futuro, entre elas, o poder que o telespectador adquiriu de gravar a programação da TV e correr os comerciais quando estiver assistindo depois. Foi quando Don Draper a expulsou da agência.

Charlie Sheen, de “Two and a Half Men”, também marcou presença no evento. Nas últimas semanas, o ator vem fazendo o caminho que todos os artistas fazem quando precisam pedir desculpas públicas por seus atos. Afinal, ele precisa continuar trabalhando em Hollywood. Assim, antes de anunciar o prêmio de Melhor Ator em Comédia, ele desejou à série “Two and a Half Men” todo o sucesso do mundo. Em seguida, anunciou o vencedor: Jim Parsons, por “The Big Bang Theory”, sitcom criada por Chuck Lorre. Sua premiação tirou a última chance de Steve Carell de ganhar por “The Office”.

Mas o melhor momento da noite ocorreu na categoria de Melhor Atriz em Comédia. Conforme os nomes das indicadas eram anunciados, cada uma delas foi subindo ao palco, o que levou a platéia a aplaudir de pé. Assim, como em um concurso de Miss, elas ficaram esperando no palco, de mãos dadas, pelo nome da vencedora: Melissa McCarthy, por “Mike & Molly”. Logo em seguida, Melissa foi literalmente coroada e, junto com o Emmy, lhe foi entregue um buquê de flores.

Na categoria de séries dramáticas o prêmio foi bem distribuído, já que todo mundo levou um pouco. “Friday Night Lights” ficou com os prêmios de roteiro (Jason Katims) e de ator (Kyle Chandler); “The Good Wife” ficou com o prêmio de melhor atriz (Julianna Margulies); Peter Dinklage ficou com o prêmio de melhor ator coadjuvante por “Game of Thrones”; Margo Martindale foi premiada como melhor atriz coadjuvante por “Justified”; Martin Scorsese ficou com o prêmio de direção por “Boardwalk Empire”; e “Mad Men” ganhou, mais que merecidamente, o prêmio de Melhor Série Dramática pelo quarto ano seguido. Parabéns à Academia pela seriedade!

Na categoria comédia, a favorita “Modern Family” levou a maioria dos prêmios: roteiro, direção, atores coadjuvantes e melhor série cômica.

Na categoria Minisséries ou Telefilmes, a melhor surpresa da noite! “Downton Abbey” derrotou a favorita “Mildred Pierce”, da HBO. A produção britânica levou o Emmy nas categorias de Roteiro, Direção, Atriz Coadjuvante e Melhor Minissérie (será que agora a Universal lança o DVD no Brasil?).


Confiram abaixo a lista dos vencedores nas categorias de séries e minisséries.


Série Dramática
Mad Men – AMC


Série Cômica

Modern Family – Fox


Minissérie ou Telefilme

Downton Abbey – PBS/BBC


Ator de Série Dramática

Kyle Chandler por Friday Night Lights


Ator de Série Cômica
Jim Parsons por The Big Bang Theory


Ator de Minissérie ou Telefilme
Barry Pepper por The Kennedys


Atriz de Série Dramática

Julianna Margulies por The Good Wife


Atriz de Série Cômica

Melissa McCarthy por Mike & Molly


Atriz em Minissérie ou Telefilme
Kate Winslet por Mildred Pierce


Ator Coadjuvante em Série Dramática
Peter
Dinklage por Game Of Thrones


Ator Coadjuvante em Série Cômica
Ty
Burrell por Modern Family


Ator Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme
Guy Pearce por Mildred Pierce


Atriz Coadjuvante em Série Cômica
Julie
Bowen por Modern Family


Atriz Coadjuvante em Série Dramática
Margo
Martindale por Justified


Atriz Coadjuvante em Minissérie ou Telefilme
Maggie Smith por Downton Abbey


Roteiro – Série Dramática
Friday Night Lights eps. Always – Jason Katims


Roteiro – Série Cômica
Modern Family eps. Caught In The Act – Steven Levitan e Jeffrey Richman


Roteiro – Minissérie, Telefilme ou Especial
Downton Abbey – Julian Fellowes


Direção – Série Dramática
Boardwalk Empire eps. piloto – Martin Scorsese


Direção – Série Cômica
Modern Family eps. Halloween – Michael Alan Spiller


Direção – Minissérie, Telefilme ou Especial
Downton Abbey eps. Parte 1 – Brian Percival



Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/temporadas/emmy-awards/vencedores-do-emmy-2011/

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Arquivo morto


por Eder Ferreira

Olhei para meus escritos, já empoeirados,
e vi rastros de inquietude e impaciência.
Pude observar meus sentimentos obsoletos
e minhas manias exacerbadas.
Olhei bem fundo, dentro de minhas idéias,
e não hesitei em fitar as lamúrias
que regurgitei a cada letra desenhada
Não consegui fechar os olhos
para as inverdades mal arranjadas
sobre a mesa apodrecida.
Tapei sim meus ouvidos,
para não ouvir os gritos e berros
dos loucos que faziam de tudo
para atrapalhar minha concentração.
Me coloquei como o mais fiel dos leitores,
a frente de minhas palavras reorganizadas,
afim de sentir a podridão exalada
por minhas desmedidas sinopses
e ideologias bem calcadas.
Olhei para mim mesmo,
e vi minha literatura se desmanchando
em formas avulsas e ignotas.
Vi meu passado, presente e futuro.
Me vi descrito em letras sobrepostas.
Me vi sozinho,
escrevendo bobagens poéticas
e ensaios sobre a ignorância humana.
Só não vi minh'alma.
Essa está guardada
em alguma pasta amarelada,
dentro de um velho arquivo enferrujado,
no escuro porão
de minhas lembranças perdidas.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Delírios de uma mente monstruosa - Tributo a Mary Shelley


por Eder Ferreira

As lembranças de seu finado marido povoam sua cabeça todos os dias, a todo momento, mas, durante a noite, se tornam mais recorrentes. São tantas as emoções a fluir que fica até difícil ter alguma inspiração. Sobre a mesa, páginas e mais páginas de uma nova estória que vai nascendo. Mas ela sabe que nenhuma conseguira abater sua mais perfeita criação, seu monstro, seu filho mais aterrorizante e fascinante. Mary Shelley sente dentro de sua alma que, por traz de toda aquela monstruosidade, há algo superior, muito além da roupagem fictícia e macabra. Os pensamentos vão de encontro com os devaneios quando, de repente, ao olhar para fora, através da janela entreaberta, ela vê uma imagem que gelaria o mais valente coração, mas não o dela. É ele, Frankenstein, ou pelo menos sua silhueta, demarcada na noite pela luz da lua. Apesar de saber que pode se tratar apenas de um tronco de arvore retorcido ela se pergunta: seria aquilo a insanidade da velhice chegando, ou seria a sua mais perfeita obra, que fugira de sua imaginação para lhe dar um último adeus e um obrigado? A única coisa que Mary faz é sorrir. E, mais uma vez, ela enxerga seu passado, vislumbrando a mais perfeita de todas as obras: a sua vida.


Sobre Mary Shelley

Nascida no ano de 1797, filha de pai jornalista e mãe feminista, Mary Shelley teve uma educação pouco comum para uma mulher de sua época. Aos dezesseis anos conheceu Percy Bysshe Shelley, que era casado. Iniciaram um romance, que a afastaria do pai. Após a morte da esposa de Percy, eles se casam. Seis anos após o casamento, Percy morre afogado. Seu mais importante livro foi Frankenstein, no qual criticou a responsabilidade da ciência. Escreveu outros romances, mas nenhum de grande destaque. Morreu em 1851, aos cinqüenta e quatro anos.

sábado, 10 de setembro de 2011

Ideologia não paga contas


por Eder Ferreira

Melhor qualidade de vida para as pessoas em geral. Democracia. Garantia total aos direitos humanos e aos tratados de paz. Humanização. Salários mais dignos para trabalhadores. Marxismo. Acessibilidade para cadeirantes e demais pessoas com necessidades especiais. Modernização. Fim da violência urbana, rural, doméstica, nas ruas, em estádios, nos bares, e qualquer outro tipo de violência. Conscientização. Fim da corrupção, do desvio de verbas, dos marajás e de toda a corja que envergonha a política brasileira. Respeito. Mais compromisso com as necessidades do povo, através de investimentos em saneamento básico, saúde, educação, moradia e combate à pobreza. Politização. Maior apoio à cultura popular, e menor exaltação da mídia de elite, vangloriada aos berros pelos meios de comunicação (leia TV). Mobilização. Luta constante contra o fanatismo religioso e ideológico, que ano após ano ceifa vidas por todo o mundo. Confraternização. Inclusão social. Luta contra o analfabetismo. Redução da mortalidade infantil. Cura da AIDS, do câncer, do tabagismo, do alcoolismo. Combate ao trafico e ao consumo de drogas. Mais iniciativas. Mais idéias. Mais ações. Mais trabalho. Mais consciência. Mais dignidade. Mais humildade. Mais vida. Menos mortes. Menos loucura. Menos concentração de riqueza. Menos bandidos. Menos hipocrisia. Menos ignorância. Menos utopia. Menos teoria.

Enquanto isso, o cara da companhia de força tá cortando minha luz...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Dança comigo?


por Eder Ferreira

Escutamos, agora, um doce som no ar

A embalar nossos corpos pelo salão

Fazendo nossas almas em perfeita ligação

Começarem vagarosamente a bailar


Podemos ver, quando nos olhamos

Uma luz que brilha a cada movimento

Sentindo uma emoção e um sentimento

Que surgem enquanto ávidos dançamos


Eu, te conduzindo, ainda meio contido

Você, tão minha, seguindo meus passos

Bela, rodopiando seu cintilante vestido


Esquecemos, aos poucos, nosso pesar

Nossas falhas, erros, lástimas e fracassos

E transformamos a vida num eterno dançar

Apenas mais uma crônica



por Eder Ferreira


Permita apresentar-me. Sou um literato qualquer, pronto a derramar minhas experiências sob a forma de uma crônica, se é que regras classificatórias se encaixem em meus devaneios literários. Sou apenas um escritor, calejado pelas injurias desse mundo semi-alfabetizado, no sentido mais literal da palavra.
Sou uma alma encarnada que, ao ver e ouvir tantas discrepâncias em forma de imagens e sons, sente-se humilhada pelo seu próprio ego. Não que eu, em minha humilde existência, me sinta melhor do que qualquer ser vivente ou não vivente, que ouse rastejar por essas terras acaloradas, mas minha repugnância não me deixa escolha, senão sentar-me a frente de meu computador, e teclar algumas insanidades disfarçadas de palavras.
Refiro-me, caso o(a) leitor(a) ainda não tenha percebido (que, sinceramente, nem tem nenhuma obrigação para tal), aos disparates culturais que assolam nossa mídia já tão castigada. Vemos a arte se diluir em forma de valores patéticos. Assistimos atores, cantores, humoristas e mais um caminhão de artistas que só fazem arte para si próprios ou para meia dúzia de puxa sacos que ficam babando e posando de cultos.
Lemos livros que prometem nos ajudar, mas que se limitam a tentar enfiar frases de impacto que, na prática, já estamos fadigados de tanto ouvir. Somos obrigados a sentarmos em frente à TV e, por falta de opção, assistirmos programas que não fazem nada além de nos hipnotizar e alterar nossa concepção da realidade. Vemos nossa cultura se resumir a uma arte monopolizada e desprovida de qualquer responsabilidade para com os valores éticos que sempre permearam nossas vidas. Rejeitamos nosso dia-a-dia pragmático para nos fixarmos a um mundo irreal e fictício, onde, como já dizia John Lennon, nos escondemos para fazer amor, mas somos obrigados a assistir rituais de violência gratuita à luz do dia.
Somos, por tanto, um bando de hipócritas, por acharmos lindo ver a vergonha alheia como expressão artística, e achamos ridículo quando um poema de amor é recitado em voz alta.
Sinceramente, não sei mais quem somos, mas sei quem sou. Um literato qualquer, que acaba aqui de derramar suas experiências sob a forma dessa crônica que, por essa massa cultural inutilizável, não será lida com seu devido respeito.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ferina


por Eder Ferreira


Minha deusa, minha virgem. Mulher!

Que eu nunca te perca e sempre te veja!

Na eternidade, teu amor deseja,

e no infinito tua alma me quer!


Sou teu homem, teu servo, teu amante!

Aquele que te faz mulher, e te ama!

Mais que o calor da poderosa chama,

que queima em meu peito. Inebriante!


Me perco em tua feminilidade;

Em tua delicada suavidade;

Em teu saboroso cheiro feminino.


Minha linda, minha mulher. Senhora

de minha vida, que me tens agora

e para sempre, em teu corpo ferino!

Face oculta


por Eder Ferreira


Lua branca, de prata, iluminada

Que faz toda noite sua viagem

Livre, a contemplar a paisagem

Brilhante, mágica, quão afamada


Ao redor de tudo para sempre gira

No vazio longínquo, exorbitante

Aparece sempre, a todo instante

mostrando uma face; nunca de vira


Talvez por isso seja tão majestosa

Em sua viagem, tão bela, formosa

Sem nunca se mostrar inteiramente


Invejo-te muito, senhora enluarada

Pois gostaria de ocultar na madrugada

meus erros, como fazes eternamente