sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Três sonetos a três sonetistas



por Eder Ferreira


Tributo I

a Olavo Bilac


No trêmulo rio do tempo incansável

Surge o mestre das letras, o senhor

O parnasiano perfeito, o insuperável

Declarando à poesia todo seu amor


O ouvinte das estrelas e do impossível

Debruçava-se na janela para vivenciar

Toda noite, sua obra intransponível

Que nunca, em seus versos, a de acabar


O poeta erudito, de febril literatura

Amante fiel da sublime conjectura

E das pérolas poéticas que construía


Através dos tempos, e sempre mais

Não a de se apagar, nunca, jamais

O brilho estrelado de sua maestria



Tributo II

a Cruz e Souza


Talvez os violões chorem eternamente

Ou, talvez, enlouqueçam de uma vez

Como a Monja, em sua negra avidez

Pervertida pela Múmia... solenemente


Se o poeta enlouquecer, maldita sorte

Terá que satisfazer seu sonho amável

Para ser, como nos versos, Invulnerável

Cantando, bem alto, a Música da Morte


Na liberdade negra de sua inteligência

Confundida, muitas vezes, com destino

Resta uma dose de talento e opulência


Se a loucura espreitou-lhe no derradeiro

Terá a sorte de no eterno confino

Ser afagado pelo Cristo verdadeiro




Tributo III

a Augusto das Anjos


Assisti, agora, o formidável, o enterro

Não da quimera, mas daquele verme

Aquele, que nos versos, no cerne

Vangloria-se, feroz, no funesto aterro


E, agonizante, o filósofo me contou

Que morcegos não mais lhe incomodam

Só voam, voam... giram, giram e rodam

E, que apenas um (o do tempo) lhe atacou...


Mas, mesmo que seja velha a sua obra

Algum verso perdido, sei que sobra

No caos, nos descontroles e desarranjos


Seu lirismo necrófilo ninguém esqueceu

Apenas, talvez, alguém não o entendeu

Pois a de enlouquecer até mesmo os anjos

Nenhum comentário:

Postar um comentário